sábado, 12 de julho de 2008

Entrega


Suspirou. Três vezes, como quem traça o sinal da cruz com o ar. Amor Trino, não tão santo. E o zelo de cerrar os lábios pra não macular o silêncio. Expira, e apressa o passo. Urge, mas o quê?. Dias de se percorrer com passos apostólicos,tempos de cruz e espada, por vezes, é preciso morrer pra se salvar daquilo que acredita. E viver mais. Colocou as mãos na terra, esboçou os gestos de Deus, soprou. Não abstraiu. Não mais. Cansou os joelhos dobrados, as mãos em postas. Cansou as pálpebras de cerrar os olhos. A pupila dilatou a alma. Dos cultivos, vale os sinceros. Os dedos, bulidos de terras, andam. Que desenho teria feito Jesus? Não atire a primeira pedra. Nem a segunda, por favor. O pensamento ganha geometria é na ponta dos dedos, no traçar esboçado na areia, e só porque primeiro soube se medir com precisão de passos o acertar das idéias. Quando se alongam os dias e os silêncios, entendas, ela longeia, pra se precisar inteira e não atingir medidas. Por favor, no abrigo não se deseja mais a palavra-farpa unhada nas paredes. Desentendes os ciclos, mas queres a beleza cheia, lua, nova-crescente presa em teus quartos. Criança poupada de chão, proteção que cerceia. Se vai, coração descobre estações de ser, sempre novas...por antigos caminhos distantes. Enquanto, tu arrancas as orquídeas. Rasga o raro entre os dentes, e deixa luir o que unia. Não estar, de quando em quando, é se refazer pra se render melhor, mostrar a cicatriz. Ela prefere ainda a caixa postal vazia, a palavra quente de um sorriso que não se pode ver, do que o estragar da fruto pela hipocrisia da seiva, puro veneno. Tez de Brutus. Tem as mãos sujas, a cara maltratada de sol, do que escapa ás proteções, mesmo tantas, por isso, se te dedicou o zelo dessa muda em flor, foi na vontade de afetar o cultivo, empunhar ao sol esse amor, e te dedicar a possibilidade de aprender que todo gesto é semente, e por isso só sabe multiplicar. Pensa no sete, no Caio Fernando, na sorte, em não se perder dos encontros, e que pode ser doce. E tu, sem achar o tom, descobres que: quando o sentimento não encontra nas palavras veste, ele escapole, na pausa entre os acordes, ausência amamentando nos braços uma presença que freme. Um suspiro.

11 comentários:

violeta disse...

Eita, né à toa que Cecilia manda beijo pra alma...
.

'quando o sentimento não encontra nas palavras veste, ele escapole...
o silêncio.'
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coisa linda demais, cada vez mais e mais
.
beijo
.

Briza disse...

eu sou tão, mas tão fã dela.

Myn disse...

O pensamento ganha geometria é na ponta dos dedos, no traçar esboçado na areia, e só porque primeiro soube se medir com precisão de passos o acertar das idéias.

lindoooooooo

Larissa Santiago disse...

suas palavras são como mão de Deuss... mão de carinhoo
bjuuu

Rafael disse...

Pra você, só estrelas. Tua inspiração me inspira, já disse isso um tanto e não me canso.

Aline disse...

Eu me perco, me encontro, me encanto.

Que lindo, menina-luz, que lindo.

Cadinho RoCo disse...

No abstrato da vida também há realidade.
Cadinho RoCo

Mary Flower disse...

Amei os textos de todas as saias... continuem rodando e rodando!
Gostei muito mesmo do blog, espiem o meu: http://www.ypohikete.blogspot.com

Um abraço quentinho,
Mary Flower

Morganna disse...

tu é tão intensa e de alma, flor. gosto tanto. (L)

bossa_velha disse...

muito feminino, muito muito lindo.

Karla Thayse disse...

Que linda simplicidade...
Me sinto tão bem aqui...
Muita luz pra você.
bjuus